Os efeitos da pandemia têm-se feito sentir de forma mais aguda no norte do país, onde asfixia já a economia. Fábricas fechadas, postos de trabalho em causa, microempresas à beira da falência. A situação não é fácil em Portugal e no Mundo.

Os efeitos do coronavírus poderão custar às pequenas e médias empresas portuguesas 47 mil milhões de euros nos próximos três meses. Perdas de vendas superiores a 80% são previstas pelo estudo da Fixando, plataforma online de origem portuguesa que facilita a contratação de serviços locais.

Quem pode decidir o teletrabalho?

Os trabalhadores, do privado ou da administração pública, podem optar pelo regime de teletrabalho aprovado no âmbito das medidas excecionais relacionadas com a Covid-19 sem que seja necessário o acordo do empregador, desde que a prestação à distância seja compatível com as suas funções.

A exceção vai para os serviços essenciais, como funcionários em estabelecimentos de ensino que promovam o acolhimento dos filhos dos profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança e de socorro, incluindo os bombeiros voluntários e das forças armadas, bem como de gestão e manutenção de infraestruturas essenciais.

Quem está em regime de teletrabalho tem direito ao salário por inteiro e não pode aceder ao apoio previsto para quem tem de ficar em casa com os filhos devido ao encerramento das escolas.

Teletrabalho recomendado
O acesso ao teletrabalho foi liberalizado e o acesso a este modelo de trabalho é “recomendado”, quer no público, quer no privado. “Esperamos que seja praticado, porque é uma boa forma de a economia continuar a funcionar e assegurarmos que limitamos o contacto social”, afirmou António Costa

As organizações estão preparadas para esta transição repentina?

A escala e a forma do que estamos a assistir, com organizações de 1.000 ou 10.000 funcionários, que pedem às pessoas que trabalhem a partir de casa muito rapidamente, é sem precedentes. 

Não, as organizações não estão preparadas.

Qual é a primeira coisa que líderes podem fazer para ajudar os seus funcionários?

Acerte a infraestrutura. 

  • As pessoas têm a tecnologia necessária ou têm acesso a ela? 
  • Quem tem um laptop? 
  • Aqueles que [têm laptops] podem trabalhar facilmente com os softwares da organização? 
  • Há algum software padrão que precisam para poder trabalhar, fazer teleconferências etc.? 
  • E os funcionários que não têm laptops ou dispositivos móveis? 
  • Como garante que têm acesso aos recursos necessários para o trabalho? 

Quem faz gestão de pessoas precisa de garantir rapidamente que todos os funcionários têm acesso total, para que ninguém se sinta deixado para trás.

O teletrabalho afeta a saúde psicológica ? 

As pessoas perdem as conversas não planeadas sobre refrigeradores de água ou cappuccino com colegas em trabalho remoto. 
Na verdade, essas são partes importantes e importantes da jornada de trabalho que afetam diretamente o desempenho. 

Como criamos isso virtualmente? Para alguns grupos e indivíduos, haverá mensagens instantâneas constantes. Para outros, serão conversas telefônicas ao vivo ou videoconferências. Algumas pessoas podem querer usar o WhatsApp, WeChat ou Viber. 

Um gestor pode incentivar esse tipos de pontos de contato para a saúde psicológica. 

As pessoas podem não serão capazes de descobrir essas coisas organicamente. Mais um conselho: Exercício. É fundamental para o bem-estar mental.

Três coisas que os líderes podem fazer para criar uma boa cultura remota?

Existem mais de 10.000 livros na Amazon sobre como liderar remotamente ou à distância. 

Número um, verifique se os membros da equipe sentem constantemente que sabem o que está a acontecer.
É preciso comunicar o que está a acontecer ao nível organizacional porque, quando estão em casa, sentem que foram extraídos da nave-mãe. 
É normal que haja perguntas sobre a empresa, os clientes e com os objetivos comuns. A comunicação é extremamente importante. 

Durante esse período, as pessoas também começam a ficar nervosas com as metas de receita e outras entregas. 

Outra coisa é garantir que nenhum membro sinta menos acesso a aos líderes do que outros. 
Em casa, a imaginação das pessoas começa a enlouquecer. Então tem que estar acessível e disponível para todos de forma igual e transparente

Finalmente, quando realiza suas reuniões de grupo, procure incluir e equilibrar o tempo de antena para que todos sintam-se vistos e ouvidos.

O que muda em Portugal, na atividade económica

Comércio só abre para bens e serviços essenciais

Para os estabelecimentos comerciais com atendimento ao público, a regra é o seu encerramento. Há, contudo, algumas exceções. Estabelecimentos como padarias, mercearias, supermercados, bombas de gasolina e quiosques, e todos aqueles que vendam “bens ou serviços absolutamente essenciais à vida das pessoas”, “podem e devem manter-se abertos”.

Restauração em funcionamento

Quanto ao setor da restauração, onde se incluem não só restaurantes, mas também cafés, pastelarias e “toda a vasta categoria de estabelecimentos” deste setor, deve ser encerrado o atendimento ao público, mas o Governo apela a que estes estabelecimentos se mantenham em funcionamento, para prestar serviços de take-away e de entrega ao domicílio.

Empresas mantêm atividade

Quanto às restantes empresas, sem atendimento ao público, deverá manter-se a “atividade normal”, com exceção para aquelas que se encontrem em concelhos onde tenha sido decretada a calamidade pública, como Ovar. Nesses casos, serão impostas medidas e restrições específicas.

Normas obrigatórias para todas

Para todas as empresas que se mantenham em atividade, a regra é a mesma: terão de ser cumpridas três normas. Primeiro, as que foram ditadas pela Direção-Geral de Saúde quanto ao afastamento social. Nos estabelecimentos comerciais, por exemplo, o atendimento deve ser feito à porta ou ao postigo, de forma a evitar contactos. Segundo, devem ser cumpridas todas as regras de higienização que têm sido estabelecidas, quer quanto à higienização das superfícies, quer quanto à necessidade, se for esse o caso, da utilização de equipamentos de proteção individual. Por fim, todas as empresas devem “assegurar as condições de proteção individual dos respetivos trabalhadores”.

Não há racionamento

Não haverá, para já, racionamento dos produtos disponibilizados nos estabelecimentos comerciais. E “nem se justifica que venha a haver”, frisou o primeiro-ministro. O esforço que está a ser feito pelo Governo é no sentido de assegurar que o conjunto da cadeia de abastecimento se mantém sem quebras.

Bancos em funcionamento

Os bancos vão-se manter em atividade no atendimento ao público, mas será dos setores onde haverá mais recurso ao teletrabalho.

SERVIÇOS PÚBLICOS

Serviços garantidos à distância

No que toca aos serviços públicos, o Governo decidiu generalizar a utilização do teletrabalho para todos os funcionários públicos que possam recorrer a esse sistema. O atendimento ao público será feito, preferencialmente, por via telefónica ou “online”. E o atendimento presencial só existirá por marcação.

Lojas do cidadão encerradas

São encerradas as lojas de cidadão, mantendo-se abertos os postos para atendimento aos cidadãos que estão descentralizados.

Não é que as pessoas adotem permanentemente este novo formato de trabalho, mas esta experiência vai expandir a capacidade de todos. 

Se há um pequeno aspecto positivo neste turbilhão de experiências e sentimentos confusos, é que estamos a desenvolver características profissionais que podem ser úteis no futuro.