O ano de 2020 terá favorecido largamente as intenções de mudança para Portugal entre residentes de outras paragens do bloco europeu, com o país a registar o maior crescimento de imigração intraeuropeia, segundo um novo relatório publicado pela Direção-Geral de Emprego da União Europeia.

O documento, que analisa as últimas tendências de livre circulação no bloco, recolhe dados até janeiro, pelo que não entram nas contas ainda os efeitos do embate da pandemia, que deverá ter feito regredir os números globais daqueles que mudam de país dentro da UE. Também poderá, no entanto, ter determinado mais intenções de imigração para alguns países, nomeadamente, entre teletrabalhadores.

Até ao arranque de 2020, regista-se uma subida de 13% no número total daqueles que, vindos dos restantes 26 países da União, escolheram passar a morar em Portugal. Passaram a 111 mil, mais 13 mil do que no ano anterior. Logo atrás, Países Baixos e Hungria foram os países que mais viram aumentar a imigração com origem na UE, com subidas de 10% e de 9%, respetivamente, para 449 mil e 61 mil.

No conjunto dos 27, contavam-se mais de 9,9 milhões de cidadãos europeus a viver fora, num crescimento de 1,6% face a 2019. A subida conjunta foi de 156 mil, número no qual os 13 mil novos imigrantes europeus em Portugal representam uma fatia de 8%.

Assim, Portugal acolhe praticamente um décimo da nova imigração europeia líquida. Mas, ao mesmo tempo, mantém-se também entre os países com mais cidadãos noutras partes do bloco. São 7% do total da imigração intraeuropeia, cerca de 696 mil pessoas, sendo Portugal o quarto maior país de origem dos fluxos, atrás de Roménia (25%), Itália (11%) e Polónia (11%).

Já a Alemanha é ainda o principal país de destino, com perto de 3,3 milhões de imigrantes vindos de outros países europeus. Seguem-se-lhe Espanha (cerca de 1,3 milhões), Itália (1,1 milhões) e França (911 mil).