O teletrabalho está presente no Código de Trabalho há sensivelmente 17 anos, mas foi efectivamente aplicado. As empresas não apostaram o suficiente na formação dos trabalhadores para que estes se sintam confortáveis a trabalhar à distância.

Agora, por necessidade, muitas empresas tiveram que disponibilizar aos trabalhadores telemóvel, portátil, VPN e softwares para manterem a empresa à tona da água.

De acordo com dados do índice de 2019 de Digitalidade da Economia e da Sociedade (DESI), a percentagem de cidadãos em Portugal que nunca utilizaram a Internet ronda os 23%. É o dobro da média da União Europeia.

A falta de literacia digital em Portugal será um dos grandes desafios. “Em geral, há uma boa cobertura da rede em Portugal. É possível que existam problemas, mas serão pontuais”, diz Rodrigues. “O grande problema é que ainda há uma grande iliteracia por parte da população.”

“Quero acreditar que esta crise fará muito pelo teletrabalho porque obriga as pessoas a um esforço de adaptação e aprendizagem. O aumento do interesse em saber utilizar ferramentas online pode ajudar a quebrar a barreira da exclusão digital”,

disse ao PÚBLICO Nuno Rodrigues, coordenador geral da Iniciativa Nacional para as Competências Digitais 2030 (INCoDe 2030).

Até agora, nota-se uma vantagem do ensino superior, que já tem várias ferramentas disponíveis para o teletrabalho desenvolvidas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Nos últimos dias, a procura de ferramentas como o Educast (permite gravar uma aula ou reunião e disponibilizá-la online) e o Colibri (para videoconferência) tem subido a pique – ajudam a coordenar aulas remotas ou reuniões entre investigadores e académicos. 

A FCT já aumentou a capacidade dos servidores para garantir que as plataformas suportam maiores quantidades de utilizadores em simultâneo.

Conheça estas e outras ferramentas no Kit de Emergência Teletrabalho

Os gestores de uma geração mais tradicional e mais avessa à mudança admitem quepara acompanharem o direito do trabalho 4.0 precisam de implementar soluções criativas e incentivar uma cultura avessa à rigidez, com o objetivo de garantir trabalhadores satisfeitos, motivados e, consequentemente, mais produtivos e eficientes.

É preciso promover mais qualidade de vida e satisfação, políticas que permitam que os trabalhadores partilhem o ADN da empresa e, consequentemente, contribuam para o seu sucesso (com reflexo nos lucros), dando mais liberdade de escolha.